sábado, janeiro 27, 2007

As Bandeiras de Nossos Pais


Nosotros, los sobrevivientes,
¿A quiénes debemos la sobrevida?
¿Quién se murió por mí en la ergástula,
Quién recibió la bala mía,
La para mí, en su corazón?
¿ Sobre qué muerto estoy yo vivo,
Sus huesos quedando en los míos?

Roberto Fernández Retamar, poeta cubano, "El Otro"

Grande filme na praça: Flags of Our Fathers, dirigido pelo mestre Clint Eastwood. Na Argentina, chamou-se La Conquista del Honor, ignoro o título que terá no Brasil. É uma narrativa estupenda sobre o sentimento conhecido como "culpa de sobrevivente" e uma análise de como a opiniäo pública é manipulada em tempos de guerra.

"Uma foto pode ganhar ou perder uma guerra", diz um dos personagens. "Bandeiras" é a história de uma das imagens mais famosas da Segunda Guerra Mundial: o retrato de um grupo de fuzileiros navais erguendo uma bandeira dos EUA na ilha de Iwo Jima, palco de uma das batalhas mais sangrentas no conflito contra o Japäo. Cerca de 50 mil soldados morreram ali.

O filme conta como os soldados sobreviventes da foto foram utilizados pelo governo dos EUA numa missäo de relaçöes públicas para fazer a populaçäo comprar bönus de guerra que ajudassem a financiar a participaçäo americana no conflito. Mas os soldados sofrem sentindo-se culpados de estar vivos quando tantos dos seus companheiros morreram em Iwo Jima, e sentindo-se indignos de representar o papel de heróis em ocasiöes um tanto ridículas. A ënfase é maior para o soldado Ira Heyes, um índio que sofreu com racismo e alcoolismo na sua volta aos EUA, sem conseguir adaptar-se.

O roteiro é baseado no livro escrito pelo filho de um dos sobreviventes, que pesquisou a história depois da morte do pai - que nunca conversou com o filho sobre o episódio da bandeira. O livro virou best seller nos EUA e é crueldade da traduçäo omitir a relaçäo pai-filho do título.

A produçäo de Flags é dividida entre Steven Spielberg e Clint Eastwood. O primeiro havia comprado os direitos para adaptar o livro, mas foi convencido por amigos a deixar Eastwood dirigi-la. O velho cowboy dá um show e mostra que é um dos melhores cineastas em atividade atualmente, se é que alguém tinha dúvidas. Faz um filme de heroísmo contido, em que honra e glória säo sentimentos que se calam. Sem sentimentalismo. Spielberg teria feito uma lambança, cheia de hinos melodramáticos e música em alto volume.

Eastwood foi além e dirigiu também "Cartas de Iwo Jima", sobre o ponto de vista japonës no conflito. Estréia na Argentina daqui a trës semanas, estou louco para ver.

3 Comentarios:

Anonymous tiago said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

"A Conquista da Honra", por aqui.

janeiro 29, 2007 9:44 PM  
Blogger Sergio Leo said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Contam que a foto foi cascata, montada pelo fotógrafo depois do fato acontecido?

janeiro 30, 2007 10:51 PM  
Blogger Mauricio Santoro said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Obrigado, Tiago, mantiveram o padräo do espanhol.

Sergio, foi mais ou menos isso. A história é a seguinte: um grupo de soldados colocou uma pequena bandeira americana no alto do principal monte de Iwo Jima. Um fotógrafo fez uma imagem, mas ela näo ficou muito boa.

Daí repetiram a cena, posada, com uma bandeira gigante. O filme retrata a situaçäo com precisäo.

Abraços

janeiro 31, 2007 6:51 PM  

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