quinta-feira, julho 21, 2005

Qual Desenvolvimento?



O Ibase iniciou um projeto de monitoramento do BNDES, parte de um debate mais amplo sobre modelo de desenvolvimento, e no Jornal de Brasil desta quinta saiu um artigo da minha amiga Luciana Badin sobre o tema. Em suas belas palavras:

"Diante da constatação de que não basta eleger representantes e esperar que as coisas mudem, uma frase de Guimarães Rosa sinaliza a porta de saída desse perigoso estado de desesperança: ''Uma coisa é pôr idéias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias''"

Quando o debate sobre desenvolvimento começou a ganhar fôlego no Brasil, pelos anos 40/50, era sinônimo de promover o crescimento do PIB. Esperava-se que o aumento da economia, por si mesmo, fosse diminuir as desigualdades sociais e promover a inclusão de grupos marginalizados. Não foi o que ocorreu.

Corações e mentes mudaram desde os dias áureos de Roberto Simonsen e Celso Furtado. A geração de 1968 criou uma nova agenda pública na qual questões ligadas à qualidade de vida e à preservação do meio ambiente ganharam força. Uma chaminé cuspindo fumaça era o símbolo do progresso no passado, hoje é uma imagem de pesadelo. Os próprios indicadores se transformaram: o mais interessante é o Índice de Desenvolvimento Humano, elaborado pelo economista Amartya Sen, que leva em conta educação, saúde, expectativa de vida e não apenas o crescimento do PIB.

No meu convívio com autoridades governamentais, vejo que essas novas concepções estão longe de terem triunfado. Inclusive escrevi artigos criticando o modelo de desenvolvimento do PT como repleto de resquícios da ditadura militar, uma visão de "Brasil Grande" amparada em enormes projetos de infra-estrutura, que privilegiam empresas transnacionais do agronegócio em detrimento dos grupos sociais que tradicionalmente são excluídos do crescimento, como a população rural.

Minha maior decepção com o PT talvez seja na área educacional, onde o partido sempre teve muitos simpatizantes. A demissão do senador Cristovam Buarque do posto de ministro da Educação já foi um péssimo ato. E qual o projeto educacional do governo Lula? Ontem ouvi um discurso do presidente a jovens pobres dizendo que era necessário investir em escolas para que eles não se tornassem ladrões. Para quem, como eu, pensa na educação como um direito humano fundamental e um instrumento básico para o desenvolvimento do país, as declarações do presidente cada vez mais soam um desrespeito a este "país de pessoas de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias''.

6 Comentarios:

Blogger Menjol said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Excelente post Mauricio, concordo plenamente com o que você diz a respeito do modelo de desenvolvimento do PT. Por falar nisso, não sei se você já chegou a escrever a respeito, mas gostaria que você postasse alguma coisa a respeito da transposição do Rio São Francisco (se já escreveu me perdoe, sou um recente, mas assíduo, frequentador deste blog).

julho 21, 2005 1:02 PM  
Anonymous Monique said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Caro Maurício, achei o blog de vcs. Que legal e... q desânimo, né? Tento mudar de assunto, de mensalão, terrorismo e afins, e me deparo com roubo de fotografias do acervo da BN! Vc viu? Triste, muito triste. :( Beijinhos, Monique

julho 21, 2005 10:34 PM  
Blogger Mauricio Santoro said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Salve, caros.

Menjol, por coincidência acabou de chegar na minha mesa um estudo sobre a transposição do S. Francisco. Vou analisar o material e depois escrevo a respeito.

Monique, seja bem-vinda. Infelizmente está valendo para o país o que uma colega de Ibase me disse há alguns meses: "Não sou pessimista, sou observadora."

Li sobre o roubo das fotos da BN, do acervo do Itamaraty também foram furtados mapas, lembra? Tudo contribui ao clima de esculhambação nacional.

Abraços,
Maurício

julho 22, 2005 10:15 AM  
Anonymous Paulo Gontijo said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Caro Maurício, lendo seu post lembrei de uma ótima frase do Nelson Rodrigues:
"Subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos".
Abraços
Paulo

julho 22, 2005 4:39 PM  
Blogger Mauricio Santoro said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Salve, Paulo.

Também penso muito numa outra frase de mestre Nelson: "Nada mudará no Brasil até que a esquerda que aí está seja substituída até o último idiota". Infelizmente, a fila é longa. Nos vemos na UCAM no próximo sábado.

Abraços,

julho 23, 2005 3:29 PM  
Anonymous osmar said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

como vivemos num pais democratico, peco ajuda desse blog para quem quiser aderir a campanha do voto opcional ou voto nulo:

CAMPANHA DE DEMOCRACIA ELEITORAL – ANULE SEU VOTO

Se vivemos num país considerado democrático, por que somos obrigado a votar?
Por que toda eleição é sempre a mesma coisa? Promessas e mais promessas, seja político antigo ou novo.

Temos como pais quase vizinho, o Chile, que passou por vários anos de ditadura Pinochet, e acreditem, hoje, todos os jovens são obrigados a fazer faculdade gratuita, a maioria da população tem assistência médica e segurança.

Mas para chegarem a esse nível, a maioria da população se engajou em associaçoes e entidades locais, onde essas tem até hoje, poder para opinar perante os poderes legislativo, executivo e judiciário.

Aqui no Brasil, muda-se as caras, mas a corrupção continua agindo livremente. Foi realmente comprovado através de entidades de pesquisas, que, todo dinheiro desviado na corrupção nos últimos 20 anos, daria para pagar a dívida externa brasileira e ainda sobraria algum para construções de diversas universidades ou hospitais.

Se a maioria da população não votassem ou anulassem seus votos, acaba-se o interesse de candidatos de má indole.

Repasse esse manifesto para todas as pessoas que estão desacreditadas nessa elite que comanda esse país. Vamos nos organizar (vizinhos, membros de escolas, associações de bairros, grupos religiosos, etc...) e ainda temos chance de mudar esse País.

ALGUNS DOS FATOS QUE REALMENTE ATRASAM NOSSO PAÍS.

Por que existe senado e congresso? As duas entidades praticamente consomem boa parte da verba dos cofres públicos e nada funciona. Cada deputado federal ou senador recebe por mês aproximadamente R$ 60.000,00 para despesas de gabinete fora o salário de R$ 12.000,00 (valor aproximado), e pasmem, em época de internet e email, ainda recebem incluso no primeiro valor, despesas para correios (+/- R$ 3.000,00).

Todos as verbas estaduais são repassadas para a União que se incumbe de repartir posteriormente, repassando as verbas para cada Estado de acordo com sua necessidade (programas assistenciais emergenciais – estados com problemas de seca, fome, e sáude em geral), mas 50% das verbas destinadas para as Prefeituras ou Estados que são responsáveis para solucionar ou reduzir tais problemas, são desviadas para bolsos de gatunos oportunistas. O mais certo seria a verba ficar no próprio estado, e haver um controle geral de todos (associaçoes, entidades não governamentais e classistas – oab, associação comercial e industrial, sindicatos, etc...). Nada contra os nossos colegas lá do sertão que estão necessitados, mas sim a favor de que todos tenham acesso ao conhecimento e direito de seus beneficios como cidadão e deixarem de receberem “bolsas misérias” no valor de R$ 20,00, R$ 30,00 ou R$ 50,00 por mês como é atualmente.



Escolas e Universidades para todos os cidadãos por conta do governo e reduzir o máximo as entidades privadas (universidades privadas), as quais prometem bolsas de estudos fantasmas, lembrando que atualmente são isentas de qualquer tipo de pagamento de impostos, e lembrando também que na maioria das diretorias das mesmas, estão pessoas ligadas direta ou indiretamente a políticos (deputados, senadores e juizes) no intuito de ficarem livres de fiscalização federal.

Vamos nos mobilizar e por favor repassem esse email para o maior numeros de pessoas possíveis para que, com ou sem utopia de acontecer os fatos que nos enojam diariamente através de noticiários, proporcionar uma nação mais justa para todos os brasileiros, utilizando o maior recurso atualmente: O VOTO NULO, já que os próprios políticos deixam de votar projetos importantes que seriam de alto beneficio para nós.

osmar batista soares
email obsoares@ig.com.br

julho 28, 2005 7:41 AM  

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