sexta-feira, maio 13, 2005

Miragem Diplomática


Brincando de superpotência Posted by Hello

A política externa brasileira está num momento confuso. Atira para todos os lados ao mesmo tempo e o resultado são trapalhadas como a cúpula América do Sul-Liga Árabe, que criou confusão em temas sensíveis como democracia e terrorismo, adotando posições que são um retrocesso de 20 anos na agenda diplomática brasileira. Enquanto isso, relações bilaterais importantes como aquelas com os EUA e a Argentina, saem prejudicadas.

Por seu tamanho, população e dimensão econômica o Brasil tem um papel de relevo a desempenhar na política internacional. Desde os dias da Liga das Nações nossas elites aspiram a maior destaque nessa arena. A demanda é justa, mas infelizmente esse desejo raramente vem acompanhado de reformas sociais internas ou de medidas concretas para fortalecer o país.

No governo Lula, a diplomacia com freqüência é utilizada como uma compensação simbólica para a ortodoxia na política econômica. Do tipo: "vocês podem estar chateados com os juros altos e os cortes do Palocci, mas vejam como estamos fazendo bonito na África e na ONU". Jânio Quadros fez algo semelhante quando implementou a política externa independente no início dos anos 60 e o presidente Arthur Bernardes agiu na mesma direção quando pleiteou uma vaga no Conselho Permanente da Liga das Nações. Ambos acabaram mal.

A diplomacia de Lula conquistou muitos sucessos importantes, como a formação do G-20 na Organização Mundial do Comércio, mas está cada vez mais presa de uma armadilha criada pelas contradições do governo. O Itamaraty gera expectativas altas demais, impossíveis de serem cumpridas, porque os problemas internos são muito grandes. Nos anos 70, o Brasil tinha uma política externa afirmativa, mas que estava baseada no crescimento econômico acelerado. A situação hoje é diversa. Já aconteceram fatos constrangedores, como o chanceler discursar na Síria contra a ocupação israelense e no mesmo dia cortarem a luz do Ministério das Relações Exteriores por falta de pagamento.

Em tempos de recursos escassos, o melhor seria selecionar as áreas prioritárias e concentrar os esforços nelas. Isso envolveria o aprofundamento do Mercosul, com a coordenação da política econômica e a redução dos atritos com a Argentina. Também seria o caso de reformular a caótica estrutura do comércio exterior brasileiro, fragmentada em diversos ministérios (Relações Exteriores, Fazenda, Desenvolvimento e Comércio Exterior, Agricultura etc), visando à melhor organização do potencial negociador. Mas aí implica definir um projeto nacional de desenvolvimento e tomar decisões que desagradarão grupos influentes. Mais fácil ficar com retóricas e miragens.

2 Comentarios:

Anonymous Helvécio said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Interessante o comentário. concordo totalmente, parece que os rumos incesrtos do governo Lula chegaram à política externa também.
O Brasil já é o líder sul-americano faz tempo e até os argentinos tem se mostrado mais favoráveis as pretensões brasileiras. a BBC fez uma pesquisa em Buenos Aires que mostra que 58% dos entrevistados apoiam a pretensão do Brasil em conquistar uma vaga no CS-ONU. Eu fiquei surpreso. ao menos os argentinos estão sendo mais realistas que o Brasil ao esperar essa vaguinha no CS.

maio 15, 2005 1:55 PM  
Blogger el pupo said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

então, uma das pesquisas que eu queria poder ler tentaria responder à seguinte pergunta: como a legitimidade de pleitos brasileiros no exterior é afetada pela injustiça social brasileira? como isso constrange a atuação brasileira (indo mais além daquele papo do gelson fonseca, tentando descobrir os limites da "autonomia pela participação")? que que você acha, santoro?

maio 21, 2005 11:43 PM  

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