sexta-feira, março 11, 2005

Dilbertianas


O mundo mágico da avaliação Posted by Hello

Ontem começou no IBASE um processo de avaliação de funcionários. É o terceiro pelo qual passo na minha algo nômade vida profissional – os outros foram no Globo e na StarMedia. Uma das melhores coisas de ter trabalhado em grandes empresas brasileiras e estrangeiras é ficar vacinado contra o discurso de que essas organizações são eficientes, racionais e modernas.

Nos processos anteriores, preenchi inúmeros questionários de auto-avaliação que pareciam saídos de um corredor obscuro do Vaticano, cheios de lacunas onde eu deveria expor meus pecados e omissões. Tudo para meu bem, claro, pois o objetivo último era me tornar um profissional melhor. Aumentar minha “empregabilidade”. A Velha Igreja pelo menos me prometia o Paraíso, embora eu não queira ir para o mesmo lugar que o cardeal Ratzinger.

Também passei por métodos heterodoxos como subir em árvore, jogar cabra cega e disputar partidas de paintball, para estimular a cooperação em equipe. Bem, pelo menos me diverti, mesmo com os gerentes recusando o convite dos subordinados para fazer um confronto “chefes x empregados”.

Óbvio, ninguém gosta de ser avaliado e ter seus defeitos expostos, em especial quando está em jogo a situação no trabalho. Óbvio, todas as organizações tendem à inércia burocrática e muita gente prefere uma rotina tediosa ao risco de mudanças, mesmo que para melhor.

Ainda assim, o discurso padrão dos avaliadores é uma coletânea dos clichês da auto-ajuda empresarial, com uma pitada de sentimentalismo. Um faz de conta. Como disse Roberto Justus a um participante de “O Aprendiz”: “Ninguém é tão bonzinho assim”. Aliás, o marqueteiro do amor teve um desempenho surpreendente nesse ótimo programa. Aprendi bastante sobre administração de empresas nele – cada um tem os gurus que merece.

Estou curioso para ver como o processo se dará numa ONG. Será adaptado às particularidades do trabalho social ou seguirá os mesmos moldes do que vivi no jornal e numa empresa de internet? A melhor frase da apresentação de ontem foi dita pelo consultor contratado pelo instituto: “O que é bom para a organização é bom para os funcionários”. Ratzinger teria dado o selo da aprovação papal.

4 Comentarios:

Blogger BB said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Caro,

Eh engracado ver como a tal "cultura empresarial" entra ateh nos lugares mais insuspeitos. Como se mede produtividade em uma ONG? Mais projetos? Reducao dos problemas societais que ela tenta resolver? Pelo menos uma firma tem um criterio palpavel: lucro.

Boa sorte de qualquer maneira. E lembre-se do maior lema corporativo: "deixe pra fazer amanha tudo o que voce pode fazer hoje."

Abraco.

março 12, 2005 11:52 AM  
Blogger Mauricio Santoro said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Prezado,

Também estou curioso para ver como será essa avaliação. O fato é que ela é necessária, dado o volume de recursos que passam pelas ONGs. Eis aí um campo profissional promissor para consultores de negócios...

março 13, 2005 6:10 PM  
Blogger Carolina said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Mas gente de ONG não adora essas paradas de dinâmica de grupo?

março 14, 2005 11:16 AM  
Blogger Mauricio Santoro said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Carol,

o pessoal gosta de abraçar árvore, andar descalço, dançar. Esse papo de produtividade não com o povo ONG, não.

março 15, 2005 10:50 AM  

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