segunda-feira, julho 19, 2004

Ardil 22

Fim de semana de frio e de chuva me empurraram para duas coisas raras na minha vida atual: descanso e contato com boa literatura. Terminei de ler "Ardil 22", de Joseph Heller, o famoso romance sobre o absurdo da guerra.

Não é um livro para todos os gostos. É longo e não tem um enredo definido, é antes uma colagem de personagens loucos e divertidíssimos, que variam entre carreiristas, corruptos, maníacos sexuais e neuróticos crônicos. Algumas das passagens são simplesmente de gargalhar, como a conspiração em torno das cartas assinadas por Washington Irving.

Claro que há também os trechos sérios. Meu favorito é a caminhada de Yossarian, o anti-herói que protagoniza o romance, pela madrugada de uma Roma habitada por todo tipo de farrapo humano. De arrepiar, digna de Dostoiévski.

"Ardil 22" é ambientado na Segunda Guerra Mundial, mas a mensagem é universal. Vários momentos poderiam ser transpostos sem dificuldade para o Iraque. Quem faz algo parecido é o historiador Howard Zinn, um dos ídolos da esquerda dos EUA. Ele é veterano da Segunda Guerra e deu uma palestra criticando o absurdo dos dois conflitos , citando inclusive o romance de Heller.

2 Comentarios:

Blogger BB said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

O livro eh sensacional. Eu usei uma frase do livro como uma das epigrafes da minha dissertacao de mestrado. Realmente a recomendacao eh preciosa.

O texto do Howard Zinn estah fantastico tambem. Voce jah leu o "A People's History of the US"? Vale a pena tentar encontrar. Se voce nao tiver lido ou nao encontrar, eu tenho o livro o no Brasil e depois te empresto.

julho 19, 2004 6:51 PM  
Anonymous Anônimo said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Falando em guerra no Iraque, copio e colo post do Pedro Dória em seu Wblog:

"19.07.2004 | Foi na terceira semana de junho que o premiê iraquiano Iyad Allawi visitou um dos principais postos policiais de Bagdá. Isto é, uns dias antes de os EUA passarem o controle do governo do Iraque e quase um mês após o anúncio de que seria Allawi o primeiro ministro.

O premiê fez um discurso aos policiais explicando que era preciso coragem e, perante uma fila de prisioneiros que faziam parte da resistência, disse que estes mereciam mais que a morte.

Allawi então sacou um revólver e assassinou pelo menos seis dos prisioneiros com um tiro na cabeça cada – eles estavam com os punhos algemados e os olhos cobertos. Pelo menos uma dúzia de policiais iraquianos e quatro norte-americanos, que trabalham na segurança do premiê, testemunharam.

A notícia é do Sidney Morning Herald. Duas testemunhas independentes relataram a visita de Iyad Allawi aos repórteres do jornal mas porta-vozes do governo iraquiano negam. Os repórteres do Herald também conseguiram o nome de três dos rapazes ditos assassinados. O governo do Iraque recusou-se a dar qualquer informação sobre eles."

REnato Feltrin

julho 19, 2004 8:07 PM  

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