terça-feira, janeiro 18, 2005

Queer Eye for the Macedonian Guy


"Mãe, não sei se invado a Índia ou compro mais cremes!" Posted by Hello

Uma amiga diplomata contou que durante uma aula no Instituto Rio Branco a professora perguntou qual tinha sido a importância do rei Luís XIV para a história. Um dos alunos prontamente respondeu: "Foi o primeiro metrossexual!". Se ele assistir a "Alexandre", de Oliver Stone, terá que retroceder dois milênios em seus cálculos. A maioria dos cenários e figurinos desse épico de três horas parece ter sido tirado de um episódio de Queer Eye for the Straight (e Macedonian) Guy. Também abusaram da computação gráfica. Os jardins suspensos da Babilônia mostrados no filme não ficariam mal num carro alegórico da Portela.

Lá pelas tantas, alguns diálogos do filme começaram a me soar estranhamente familiares. Vejam só: um cara louro (com uma tintura de cabelo ridícula, mas ainda assim louro) fala o tempo todo em conquistar o Oriente Médio, libertar os povos que vivem oprimidos por tiranos, estabelecer uma ordem internacional onde o comércio possa circular sem barreiras, conquistar corações e mentes dos súditos...

Lembrando dos papos com meu co-blogueiro BB sobre "Gladiador", "Alexandre" também é um filme sobre o novo papel dos EUA no mundo. Não é à toa que os americanos começaram a se identificar com os impérios antigos. Nos clássicos romanos dos anos 50 e 60 como "Ben Hur", "Quo Vadis" ou "Espártaco", os espectadores eram levados a torcer por aqueles que eram oprimidos por Roma - cristãos ou escravos. Agora, nos pedem para simpatizar com os conquistadores.

No filme de Stone, essa visão aparece num retrato de Alexandre como um cara legal, um conquistador benevolente que trata bem os povos que domina - os muitos massacres que perpretou na Grécia e na Ásia são apenas mencionados de passagem. Os orientais são mostrados como uma gente estranha, meio selvagens, meio crianças, depravados. Até o rei da Pérsia se parece com Bin Laden! E o império macedônio incorporou territórios do Iraque, Afeganistão e Irã. Só ficou de fora a Coréia do Norte.

Li nos jornais que há uma onda de interesse pela figura de Alexandre nos EUA. Além do filme de Stone se planejam duas outras versões, inclusive uma dirigida por Mel Gibson - suponho que sem cenas de homossexualismo e com o rei macedônio apanhando o tempo todo. Para quem gosta de história antiga, vale conferir o artigo de Daniel Mendelsohn na New York Review of Books, onde ele comenta o filme e fala dos trechos da vida de Alexandre que ficaram de fora, como o episódio do nó górdio e sua visita ao Oráculo de Siwah, no Egito. Estou com uma biografia do rei macedônio na minha mesa de cabeceira, mas ela é a sexta na fila.

Amanhã no blog: "Jean: os intelectuais no paredão".

8 Comentarios:

Blogger Glauco Paiva said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Collin Farrel = "Por um fio"
O resto é lixo.

janeiro 18, 2005 1:04 PM  
Blogger BB said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

A mudanca vem acontecendo de forma explicita no cinema americano e tambem na academia: a moda agora sao os livros sobre o Imperio Britanico, mostrando como eles foram beneficos para o mundo e espalharam civilizacao entre os barbaros. A conexao nao poderia ser mais direta.

Infelizmente (?) nao vi "Alexandre". Mas uma perguntinha: o Oliver Stone nao era apaixonado pelo Fidel, fazendo ateh um documentario sobre ele que ninguem viu ("Comandante")? Vai ver ele gosta de "grandes lideres".

(A versao do Mel Gibson deve ser exatamente como voce descreveu!)

Grande abraco.

janeiro 18, 2005 1:07 PM  
Blogger Velvet said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

hahahahahaha Alexandre metrossexual... Gostei da definição. Fora isso, que, aliás, parece ser a tônica do filme, o discurso de Alexandre a seus asseclas é sempre vago e repleto de frases de efeito bastante modernas para o mundo antigo, como pregar a liberdade entre os povos... Mas o que esperar de um filme cujo único objetivo era conquistar o público pela polêmica em torno da preferência sexual de Alexandre?

Bjos

janeiro 18, 2005 5:20 PM  
Blogger Goldmoon said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Mestre, ainda não vi o filme mas com o Colin Farrell e a Angelina Jolie como protagonistas, não tem como ser muito bom mesmo...

Hoje o Seymour Hersch deu uma entrevista a uma das rádios da BBC sobre seu artigo na The New Yorker sobre os planos de Bush e cia para invadir o Irã. Medo!

janeiro 18, 2005 9:47 PM  
Blogger Velvet said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Resolvi postar de novo. Afinal, falar de cinema é meu assunto favorito. Saindo das quetões políticas e ideológicas que envolvem "Alexandre", queria fazer um único comentário: enquanto o cinema brasileiro continua meio lazarento, meio adolescente, meio infantil e o cinema europeu resolveu se voltar para o seu próprio umbigo (deixando as grandes questões universais de lado, o que era o melhor do cinema europeu), Hollywood faz épicos-isopor e eu estou aqui, sedenta por filmes sobre a intrincada mente humana. Será que "Perto demais" ("Closer") vai emplacar? até postei sobre isso no meu blog. Por que não discutir a relação? Saiu de moda?

Abs

janeiro 18, 2005 11:20 PM  
Blogger el pupo said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Putz, eu também achei o Dário III fugitivo idêntio ao Bin Laden. Não tem como negar q a cena dele morto nas montanhas é o maior wishful thinking já visto.
Discordo que Alexandre pareça um cara legal; ele é retratado como um moleque obcecado pela pai, apaixonado pela mãe, atormentado pelas lendas gregas e por uma visão heróica de si. E a batalha de Gaugamela foi muito bem feita. Apesar de tudo (da sombra e do cabelão do Hefesto), gostei do filme.
Por último: não é de agora que les américains se identificam com os impérios antigos. A arquitetura de Washington DC nunca lhe disse nada? ;)

janeiro 19, 2005 4:05 AM  
Anonymous Anônimo said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

1º Angelina Jolie é muito jovem para ser mãe do farrell, parece mais irmã.

2º Já imagino o cinema no ano 3015 com filmes relembrando o império, tais como: "Bush, o pequeno" e "Bush Cobra: Sadam is a disease. Meet the cure"

Helvécio

janeiro 20, 2005 12:01 AM  
Blogger xjd7410@gmail.com said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

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chenyingying2016723

julho 22, 2016 10:12 PM  

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