quinta-feira, setembro 09, 2004

Projeto Imperial

Olhar para a politica externa norte-americana e suas implicacoes de longa duracao eh um exercicio complicado, mas necessario. Jah postei sobre isso anteriormente, apresentando uma visao americana do seu papel no mundo (na entrevista com Paul Kennedy e John Lewis Gaddis) e sobre previsoes sobre as eleicoes de 2 de novembro.

Li hoje um artigo de José Luís Fiori sobre a hegemonia norte-americana e as perspectivas para o futuro. Fiori, como sua mestra Maria da Conceicao Tavares, tem sempre uma visao a longo prazo do processo historico e opera na linha de "grandes estrategias" e Politica Externa com letras maiusculas. Vale realmente a pena ler o artigo.

Para despertar a curiosidade, aqui vai uma citacao do Professor Chalmers Johnson, apresentada por Fiori:

(...)“entre 1989 e 2002 ocorreu uma revolução nas relações da América com o resto do mundo. No início deste período, a condução da política externa norte-americana era basicamente uma operação civil. Por volta de 2002, tudo isto mudou. Os Estados Unidos não têm mais uma política externa, têm um império militar. Durante este período de pouco mais do que uma década, nasceu um vasto complexo de interesses e projetos que eu chamo de império e que consiste de bases navais permanentes, guarnições, bases aéreas, postos de espionagem e
enclaves estratégicos em todos os continentes do globo”.

1 Comentarios:

Anonymous Anônimo said... Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com

Puxa Bruno gostei muito desse seu post, as vezes penso sobre o que os grandes analistas internacionais querem dizer quando mencionam a palavra "Império", pois se se trata do conceito mais comum e "histórico" à moda romana, creio que não é exatamente o que os EUA buscam, i.e. dominação de um território, população subordinada, anexação, etc. O imperialismo econômico?...não sei. Uma pergunta me vem agora, não há no mundo um movimento anti-hegemônico modelado pela União européia e sua moeda, pelos países em desenvolvimento recusando a doutrina comercial dos EUA e o desrespeito ao Direito Internacional e todos esses atores se aproveitando de novas aberturas para ações multilaterais?
Sem dúvida, a visão realista se adequa bem ao termo império no que tange ao modo de ditar às regras e na manutenção da tecnologia militar.
Ainda assim, tenho nojo de tendências unilaterais.

Abraços,
Helvécio

setembro 09, 2004 11:38 PM  

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